segunda-feira, 17 de julho de 2017

Paul Valéry devorando a si em frases venenosas e pensamentos viperinos



Escrito por Homero Nunes

Não tenho desprezo pelos homens.
Bem ao contrário. Mas pelo Homem.
Este animal que eu não teria inventado.

Paul Valéry, ipsis litteris:
 
“Ora penso, ora existo.”
“Nem sempre sou da minha opinião.”
“Um homem só está em má companhia.”
“O mundo só vale pelos radicais e só dura graças aos moderados.”
“O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser.”
“Todos os sistemas são empreendimentos do sistema contra si mesmo.”
“Todo pensamento é uma exceção da regra geral, que é não pensar.”
“Pois se o eu é odioso, amar ao próximo como a si mesmo torna-se uma atroz ironia.”
“Um homem sério tem poucas ideias. Um homem de ideias nunca é sério.”
“É por vezes um espinho oculto e insuportável, que temos cravado na carne, que nos torna difíceis e duros para com toda a gente.”

Ambroise Paul Toussaint Jules Valéry (1871–1945)

 “A definição de belo é fácil: é aquilo que desespera.”
“A meditação é um vício solitário que cava no aborrecimento um buraco negro que a tolice vem preencher.”
“Convém sempre se desculpar por agir bem, nada fere mais.”
“É preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma.”
“Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir.”
“Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.” 
“O espírito condena tudo o que não inveja.”
“O poder sem abuso perde o encanto.” 
“Os espíritos valem conforme aquilo que exigem. Eu valho aquilo que quero.”
 

“Em poesia, trata-se, antes de mais nada, de fazer música com a própria dor, a qual diretamente não importa.”
“Só se pode chamar ciência ao conjunto de receitas que funcionam sempre. Todo o resto é literatura.”
“Toda a discussão reduz-se a dar ao adversário a cor de um tolo ou a figura de um canalha.”
“Tudo o que você diz fala de você. Principalmente quando fala do outro.”
“Deus criou o homem e, não o achando bastante solitário, deu-lhe uma companheira para o fazer sentir melhor a sua solidão.”
“Os otimistas escrevem mal.”

Portrait de Valéry, por Jacques-Emile Blanche, 1923

A serpente come a própria cauda. Mas é só depois de um longo tempo de mastigação que ela reconhece no que ela devora o gosto de serpente. Ela pera, então… Mas ao cabo de outro tempo, não tendo nada mais para comer, ela volve a si mesmo… Chega então a ter a sua cabeça em sua goela. É o que se chama “uma teoria do conhecimento”.
 
Acostuma-te a pensar como Serpente que se come pela cauda. Pois aí está toda a questão. Eu contenho o que me contém e eu sou sucessivamente continente e conteúdo.
 
Compensa:
O Esboço de uma Serpente
Poema de Valéry, no qual a serpente desafia o poder divino, envenenando as ideias, na sedução das criaturas…
Paul Valéry: A Serpente e o Pensar,
por Augusto de Campos
da editora Ficções

 
VALÉRY, Paul. Variedades
da editora Iluminuras

 



[Fonte: www.issocompensa.com]


Nenhum comentário:

Postar um comentário